sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A (moderna) Santa Inquisição

Primeiramente, vamos relembrar o que era e como atuava a Santa Inquisição (texto: infoescola.com.br):

A Inquisição, ou Santa Inquisição foi uma espécie de tribunal religioso criado na Idade Média para condenar todos aqueles que eram contra os dogmas pregados pela Igreja Católica. Fundado pelo Papa Gregório IX, o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição mandou para a fogueira milhares de pessoas que eram consideradas hereges por praticarem atos considerados bruxaria, heresia ou simplesmente por serem praticantes de outra religião que não o catolicismo.

A verdade é que embora o apogeu da Inquisição tenha se dado no século XVIII, as perseguições aos hereges pelos católicos, têm registros bem mais antigos. Em 1252, o Papa Inocêncio IV publica um documento, o “Ad Exstirpanda”, onde autoriza o uso da tortura como forma de conseguir a conversão. O documento é renovado pelos papas seguintes reforçando o poder da Igreja e a perseguição.


A Inquisição tomou tamanha força que mesmo os soberanos e os nobres temiam a perseguição pelo Tribunal e, por isso, eram obrigados a ser condizentes. Até porque, naquela época, o poder da Igreja estava intimamente ligado ao do estado.


Galileu Galilei foi um exemplo bastante famoso da insanidade cristã na Idade Média: ele foi perseguido por afirmar através de suas teorias que a terra girava em torno do sol e não o contrário. Mas, para ele o episódio não teve mais implicações. Já outros como Giordano Bruno, o pai da filosofia moderna, e Joana D’Arc, que afirmava ser uma enviada de Deus para libertar a França e utilizava roupas masculinas, foram mortos pelo Tribunal do Santo Ofício.


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Não preciso escrever muito para me fazer entender. Basta ressaltar que a perseguição hoje é moral e política. Que as armas são disfarçadas de "doutrinas de Deus" e que as fogueiras são psicológicas. Uma verdadeira "guerra santa" feita por quem se intitula "guardador da Palavra de Deus" está matando muitos atualmente. Mata sim, espiritualmente, um indivíduo que teria enormes chances de ter um relacionamento real com Deus. Este indivíduo, ao ver a intolerância, arrogância e prepotência que os "detentores da verdade" ostentam, se afasta, temendo os julgamentos e condenações que poderão vir por sobre ele, afinal, os tais julgam e condenam à torto e à direito, bastando não pertencer ao seu círculo de crenças/comportamentos.

Parece que há uma ideia de que, assim como na "idade das trevas" esses senhores possuem um aval divino para julgarem os seres humanos, sem levar em conta suas histórias, medos e receios. Lastreado apenas pelo que crê ser verdadeiro, o julgamento acontece, sem que o "juiz" abra nem sequer um pouco a sua mente para pensar se a sua convicção é realmente a de Deus.

Hoje em dia, a tortura é utilizada sim. Expressões do tipo "você não está fazendo a vontade de Deus" (leia-se "você não está fazendo a minha vontade") são utilizadas frequentemente, e os modernos fariseus se sentam no trono "alto e sublime" para julgar as nações.

E mais; assim como dantes, a cúpula farisaica quer estar intimamente ligada ao estado e tentam assim unir o que à duras penas conseguimos separar: igreja e estado. E se infiltram nesse meio, procurando cada vez cargos mais altos, buscando assim, o controle sobre tudo e sobre todos. Não é de hoje que vemos vários candidatos a cargos públicos ostentarem títulos religiosos (como se títulos fossem grandes chamarizes e armas de convencimento) para divulgação da sua imagem.

E até as "Joanas D'arcs" e "Joãos D'arcs" de hoje em dia, que tentam levar uma vida de relacionamento com Deus, mas que não se submetem a este julgo farisaico, são condenados, com sua sentença lida na praça pública dos meios de comunicação. São condenados à fogueiras psicológicas, exílios sociais e expurgados do reino dos céus por aqueles que se acham dignos de efetuar este julgamento.

Os que outrora foram perseguidos, hoje perseguem à ferro e fogo. Em nome de Deus.

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