segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
"Eu plantaria uma árvore"
Muito se fala hoje em dia em "chamado cristão", em "viver separa do mundo", em "contracultura gospel", e muitas outras denominações para um movimento cada vez mais comum: a separação do cristão do mundo em que vive.
Esta é uma herança trazida desde a era medieval e cultivada por muitos até o dia de hoje. Pode ser que não vejamos os cristãos, principalmente os de origem protestante enclausurados, distanciados da sociedade e tendo como regra o não-contato com a civilização. É isto está mais para os mosteiros e conventos. Só que outro tipo de isolamento se dá, à medida que muitos incutem na mente dos seus liderados uma ótica totalmente distorcida de mundo e de vivência.
A principal ideia distorcida é comumente baseada no trecho bíblico "o mundo jaz no maligno". Com base nisto, vários líderes ensinam aos seus liderados que o mudo em que vivemos é de Satanás e que devemos separar-nos do que acontece aqui. Pois tudo o que há é mal. Mas aí temos um contraponto, quando em várias outras passagens o mundo é colocado como propriedade de Deus e que "toda terra está cheia da sua glória". Como pode algo que está cheio da glória de Deus ser propriedade de Satanás?
Há sim, um comportamento incontestável da maioria dos homens (e dentre estes muitos "cristãos") que vivem como se Deus não existissem. Que colocam suas esperanças e sua fé em outras coisas e em outros nomes. Mas isso não entrega o governo do mundo a Satanás. Pode até entregar o coração dos homens, mas nada mais que isso.
E baseados nestas ideias, muitos vivem se isolando, criando verdadeiros "guetos" cristãos. Hoje em dia existe música cristã, literatura cristã, livrarias cristãs, festivais de músicas, danças e cinema cristãos, etc. Há uma verdadeira subcultura paralela, criada para "satisfazer" os anseios deste povo separado. E eles se fecham nesta bolha e condenam tudo que não é desta subcultura. Intitulam tudo de fora como secular e outros, ainda mais radicais, como "do mundo".
Certa vez, quando indagado sobre o que faria hoje se soubesse que Cristo voltaria amanhã, Martinho Lutero, o grande reformador da igreja, disse: "eu plantaria uma árvore". Ou seja, o que importa para Deus, não é se eu estou em posição "espiritual" ou se estou lutando contra tudo o que é "secular". Mas se eu estou fazendo algo comum e isto está demonstrando Cristo no meio das atividades normais do cotidiano. Outra história interessante é a de um sapateiro que perguntou a Lutero que faria de sua vida agora que tinha conhecido o evangelho. Lutero respondeu: faça calçados melhores e os venda por um preço justo.
Entendamos que o mundo não deixa de existir quando conhecemos a Cristo e nem nossas responsabilidades enquanto cidadãos desaparecem. Podemos não ser daqui, as estamos aqui e devemos fazer de tudo para tornar este mundo melhor. Não cedendo em nada nem entregando o que Deus criou nas mãos de Satanás. Mas sim tomando conta de toda a criação e fazendo da nossa vida cotidiana um eterno culto àquele que nos fez mordomos do mundo.
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